O sistema penal prisional é uma instituição de isolamento do mundo exterior privando o sujeito de contacto com a sociedade externa à prisão. Este isolamento poderá prejudicar a saúde mental dos sujeitos e, após o cumprimento da pena, dificultar o processo de reintegração e adaptação na sociedade.
Diversos fatores podem contribuir para a saúde mental dos reclusos. Deste modo, levando em consideração o bem-estar dos reclusos em cumprimento da pena, torna-se pertinente estudar o estado de saúde mental desses sujeitos, uma vez que estão em processo de recuperação do motivo que os levaram a detenção. O objetivo geral deste estudo foca-se em estudar a saúde mental dos reclusos tendo em conta a idade, o género, a sua qualidade de vida e respetivas dimensões: física, psicológica, social e ambiental, e os seus afetos positivos e negativos. Participaram neste estudo 164 reclusos em 4 estabelecimentos prisionais portugueses, dentre os participantes 138 pertencem ao sexo masculino e 26 ao sexo feminino. Os participantes têm idades compreendidas entre os 18 e os 79 anos. Os instrumentos utilizados para a recolha de dados foram o Positive and Negative Affect Schedule (PANAS) e o Questionário Sociodemográfico e Jurídico-penal. O estudo tem uma metodologia quantitativa a partir de um design transversal.
Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significativas ao nível da saúde mental para as variáveis e sexo, a faixa etária da idade, a frequência escolar e a ocupação laboral que corroboram para a dificuldade ao nível da saúde mental dos reclusos em contexto prisional. Os afetos negativos também surgem como um forte preditor da experiência de mal-estar dos reclusos. Os resultados obtidos corroboram e salientam a importância do psicólogo clínico e da intervenção dos cuidados de saúde mental em contexto prisional. (Riviane Pereira Diógenes Marques)