APRESENTAÇÃO
A presente dissertação pretende ser um registo de forma sintetizada da Arquitetura Modernista dos anos 50 a 70 do século XX, no âmbito de reconhecer quais os artifícios arquitetónicos utilizados com propósitos de assegurarem uma “epiderme” de micro-moderador climático num contexto tropical. Com o intuito de interpretar as doutrinas de Le Corbusier com aproximação ao léxico da arquitetura moderna brasileira e a interpretação do mesmo modelo moderno em Portugal torna-se plasmado nas obras construídas em Angola enquanto domínio colonial português. Investe-se numa contextualização cronológica entre a Arquitetura angolana e portuguesa sobre a migração dos modelos modernos da arquitetura, percebendo os percursos de Francisco Castro Rodrigues e de Vasco Vieira da Costa.
Foram selecionados três casos de estudo no sentido de reconhecer como estes atuaram e lidaram com o clima e como é que se pode entender as relações de continuidade entre espaços através do desenho rendilhado e das intencionalidades espaciais recorrendo estruturalmente às necessidades de ventilação e controlo da luz natural, abordando a temática do edifício de mercado em três contextos climáticos diferentes. A ventilação natural e a presença da luz na sua transição de diafragmada à obturada, onde o edifício evidencia os sistemas de ventilação e de iluminação, como elementos que o compõem enquanto facto arquitetónico, e como estes são adequados à realidade climática.
Apresenta-se a produção arquitetónica de Francisco Castro Rodrigues no Lobito com os extensos panos de brise-soliel, em paralelo com a tectónica nas obras de Vasco Vieira da Costa em Luanda e a intensa expressividade de Januário Godinho em Portugal. (Jocelma Janice Martins Mendonça)