O grande crescimento económico, com origem na 1.ª Revolução Industrial, com base no carbono, tem sido a causa do grande desequilíbrio entre 3 vertentes fundamentais para o desenvolvimento – Crescimento Económico, Ambiente e Sociedade, situação que repetidamente se tem refletido negativamente no bem-estar e saúde das populações.
A utilização dos materiais que fazem parte do ambiente construído (alheado cada vez mais da Natureza), a sua escolha, sem critério, não tendo presente a sua toxidade pela incorporação de energias fósseis resultantes da sua exploração e fabrico, que contribuem negativamente para a produção de gases de efeito de estufa, aquecimento global e mudanças climáticas, geram grandes impactos negativos ambientais, com consequências negativas na qualidade de vida dos utilizadores. Esta situação é agravada pela falta de resposta das cidades cujo modelo de desenvolvimento já não corresponde às exigências qualitativas das suas populações.
Tem-se presente as questões de sustentabilidade na Arquitetura nesta época de globalização, e portanto, de problemas globais. Verifica-se um avanço significativo da tecnologia e do conhecimento científico sobre os ambientes construídos, sobre os materiais que os constituem, e das suas consequências para a saúde e bem-estar geral dos seus utilizadores. Notando-se presentemente um esforço gradual para regulamentar e definir processos certificados, verifica-se ainda, no entanto, uma discrepância entre esse conhecimento e a sua aplicação na criação de ambientes construídos responsáveis e saudáveis.
De modo a explanar de uma maneira mais objetiva e crítica esta reflexão, foram escolhidos dois edifícios com características distintas. Por um lado, uma fábrica de cimento edificada em betão armado, construída nos anos 20 do século passado, com um ciclo de vida já centenário, e, por outro, um edifício construído recentemente em madeira, cuja concepção teve em conta os problemas ambientais e o conhecimento actual. A escolha destes edifícios permite uma pesquisa sobre a matéria-prima principal que os constitui, o cimento e a madeira, sobre a sua evolução, alternativas, e novas tecnologias mais ecológicas.
Pretende-se enquadrar o papel do arquiteto no contexto ecológico actual, salientando as implicações da tecnologia na criação de novos materiais, e na responsabilidade da escolha informada de soluções que possibilitem resolver problemas globais com intervenções locais. (João Augusto Nunes da Silva)