APRESENTAÇÃO
O aumento da densidade populacional gera questões de espaço e de melhor aproveitamento deste; o princípio de uma habitação digna para todas as pessoas e o combate à pobreza habitacional; a crescente preocupação com a sustentabilidade; são vários os aspetos que tornam importante uma contínua análise da arquitetura de áreas controladas. Estes baseiam-se na constante procura de otimização. Arquitetura não é sinónimo de opulência e a compreensão e aceitação desta como motor para o aprimoramento das condições de vida é fundamental. A arquitectura de espaços mínimos e o seu máximo aproveitamento é de grande importância intemporal. Há que analisar os bons exemplos e disseminá-los, criando cidades mais justas e mais sustentáveis. É esse o verdadeiro propósito da Arquitetura, o aperfeiçoamento do habitar, relacionando os vários espaços, conferindo-lhes variados propósitos e várias dinâmicas.
Crescemos em variados espaços, todos eles importantes. O espaço casa é, talvez, aquele com que mais interagimos e onde passamos mais tempo. Dentro do habitar de uma casa cabem muitas coisas. Cabe o descanso e o conforto, o particular e individual, o convívio e a partilha, o lazer e o trabalho. A casa é assim uma unidade, formada por um conjunto de espaços. Será a área o único fator que define estes espaços e a sua qualidade?
A análise aprofundada da habitação de áreas controladas tem o potencial de moldar as ações futuras no âmbito não só da Arquitectura, mas também outros campos como a Sociologia, Economia, Ecologia e Sustentabilidade. Proponho-me com esta dissertação, a analisar o que levou à origem do modus operandi da arquitetura de áreas controladas, analisando a conjuntura dos acontecimentos da História que a motivaram. Irei explorar três casos de estudo, invocando os elementos conceptuais/funcionais associados aos vários espaços: espaço-casa, espaço-quarteirão, espaço-bairro, de modo a averiguar como influenciaram os seus locais de implantação e as pessoas que neles vivem. Em conclusão, importa comparar as épocas e indagar sobre o que podemos retirar do passado e aplicar ao futuro, de modo a que da arquitetura de áreas controladas, resultem melhores condições de vida para todos. (Ana Guiomar Tomás Monteiro)