APRESENTAÇÃO
O tema competitividade tem estado na agenda de políticos, economistas, gestores e investigadores. Apenas as empresas competitivas são capazes de enfrentar os desafios inerentes a mercados globalizados e a consumidores informados e exigentes. Só gestores conhecedores do seu negócio e conscientes dos fatores que o tornam mais competitivo são capazes de melhorar de forma sustentada o seu desempenho. Este estudo avalia o poder explicativo de diversas variáveis quantitativas na competitividade das empresas produtoras e embaladoras de azeite, portuguesas, espanholas e italianas, entre o período de 2010 e 2019, medida através da rendibilidade do ativo. As variáveis integradas no estudo são, na sua maioria, rácios de liquidez e equilíbrio financeiro, endividamento e estrutura de capital, funcionamento e eficiência, económicos, económico-financeiros, de produtividade e de risco. Estas variáveis foram calculadas com base nos valores médios de informação financeira extraída da base Orbis Europe, de 564 empresas ativas, com contas publicadas em 2019 e com pelo menos 9 anos de informação. Os resultados obtidos, através da análise de regressão, indicam que as variáveis que explicam de forma transversal a competitividade destas empresas são a autonomia financeira, a rotação do ativo, a margem EBIT e a produtividade do pessoal. Com recurso a um questionário, foi ainda recolhida a perceção dos gestores e quadros dirigentes destas empresas sobre as variáveis quantitativas que consideram mais influenciar a sua competitividade. Os gestores das empresas portuguesas têm consciência de algumas das variáveis explicativas da competitividade muito embora, globalmente, apresentem uma perceção diferenciada dos resultados obtidos no tratamento estatístico dos dados financeiros. (Leopoldina Maria da Costa Almeida)