O Artista
A dialética entre a obra do Professor e a obra do Artista fundem-se num só trabalho, onde o real e o imaginário são selados pela criatividade de cada um deles, fornecendo matéria de análise e observação, onde o pensamento e o expressionismo abstrato fluem, através de pinceladas a óleo, da diversidade utilizada na paleta de cores, da mistura de signos e símbolos do “Vocabulário Alfa e Beta”, que se transformam em linguagem, onde o desenho é pensamento.
Estes ingredientes fazem desta parceria um polo de atração, que nos apresenta, como pano de fundo, emoções únicas e sentimentos diversos. Formas de pensamento interligam-se, escrita e imagem simbólica entram em simbiose, como se de uma forma homeostática se tratasse.
Os dois interlocutores criam pontos de ajuste formando um conjunto equilibrado e harmonioso, tendo como produto final diversas obras de arte.
No trabalho o Artista incorpora diversa simbologia inovadora que se interliga com os elementos do “Vocabulário Alfa e Beta” já conhecidos e padronizados. Neste seu vocabulário estão sintetizadas muitas das experiências produzidas pelo próprio Filipe Amaral como artista plástico. Ao longo dos anos através da prática quotidiana, da tentativa e erro, do gestualismo, surgiram muitas formas, algumas através de pesquisa, outras casualmente, de forma fortuita. Umas foram abandonadas e outras tornaram-se parte integrante e contínua de muitos dos signos e símbolos que fazem parte da composição dos trabalhos do Artista.
O “Vocabulário Alfa e Beta” foi sendo enriquecido e ampliado à medida que o Artista desenvolvia trabalho experimental de cariz abstracionista, onde os aspetos cromáticos são trabalhados, em interligação com noções de figura-fundo, transparências, velaturas, negativos, repetições, sombras e recortes de sombras, figuras ambíguas e outras técnicas abordadas, onde, desde 2007, os primeiros símbolos começam a despontar, após o abandono das influências de Vieira da Silva - quem com maior intensidade o marcou - mas também de Bridget Riley e de Victor Vasarely, que durante cerca de sete anos marcaram o trabalho do Artista.
Em 2008 as primeiras formas ainda são pouco visíveis, mas começavam já a contaminar o ambiente de cada trabalho e a apropriar-se dele, cada vez mais, com o decorrer do tempo.
O Artista, enquanto professor, procura realizar um percurso pessoal e artístico que aponta para a liberdade de pensamento, tentando sempre fazer algo que ninguém fez, para obter algo que ninguém tem.
Ao longo do tempo o Artista tem estado atento às vanguardas europeias e mundiais e ao pensamento crítico, explorando ao longo do seu caminho a interdisciplinaridade, a sobreposição de estilos, a arte de fragmentação, o expressionismo abstrato, a arte crítica/arte útil, explorando diversos meios de expressão plástica.
Desta forma, transforma diversas linguagens, transferidas de várias áreas do conhecimento, em propostas vanguardistas, onde incorpora o conhecimento de autores como Adam Grant “Originais”, Nassim Taleb “Cisne Negro” e “Antifrágil”, Eric Ries “The Lean Startup”, José Saramago “O Homem Duplicado”, bem como outros que fazem parte da imagética que rodeia Filipe Amaral enquanto artista, leitor e consumidor.
Uma vez mais, a profissão de professor se interliga com a sua outra profissão de artista plástico e ao longo dos anos tem sabido conciliar as duas, criando diversos projetos onde as artes plásticas estão sempre presentes. Alguns deles foram “Arte e Linguagem”, “Cais de 4 – Arte e Criatividade”, “Cais de Abrigo – Artes” e “Primeiro Museu Escolar Português de Arte Contemporânea”.
Estes projetos de pesquisa, com muitos alunos seus e de outras turmas, promoveram a autonomia e a criatividade, melhoraram a autoconfiança e a autoestima de alunos que não gostavam da escola, evitando o abandono escolar precoce, promoveram o debate de ideias e a criação de fatores de tensão e desordem, promovendo seres originais, isto é, não conformistas, que conseguem abandonar o conhecimento instituído e criar outro mais inovador, gerando mais valias, para a escola, para os próprios e para a sociedade.
Pensar fora da caixa é deveras gratificante!
Filipe Amaral